O valor universal da água, no que diz respeito à sobrevivência da Humanidade e à importância que tem por exemplo para as questões energéticas e da regeneração do corpo, obriga a que cada um de nós deva tomar esse recurso como finito e o preserve em todas as formas de utilização. As cidades que o têm como recurso económico e identitário devem saber potenciá-lo como desenvolvimento, contribuindo assim para o desígnio universal. Este é um espaço de estas e de outras águas. De todas as águas.

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2010-04-25

Águas Turvas (2) : Os Adesivos

Imagem: “A Politica, a Grande Porca”, desenho de Rafael Bordalo Pinheiro (in A Paródia, 1900)

Em qualquer regime político ou mudança governativa há-os os heróis e os adesivos. Os heróis são quem congemina a diferença e a mudança, quem avança corajosamente, se for preciso. Os adesivos, por seu turno, são um espécime humano de oportunistas, egoístas e racionalistas na conquista de poder e mais-valias pessoais.
Já no fim da Monarquia, quando o regime parlamentar se degradava eticamente, Bordalo desenhou a Política como “a grande porca”, criticando os partidos e os políticos através da caricatura e do ridículo.
Depois, em 1910, houve um caso curioso: quem anunciou a República do alto da varanda municipal, espécie de bastão oficial da proclamação, foram os políticos, mas quem efectivamente avançara pela avenida abaixo rumo à Baixa de Lisboa tinham sido os republicanos revolucionários, liderados por Machado Santos que não teria os mais cargos na República e acabaria morto, em 1921, depois de lutar em defesa do regime contra a investida monárquica e sendo vítima das forças revolucionárias que tão longamente cultivara. Em 1910 os profissionais da política souberam o que era “melhor” para o povo e deles surgiu um banho de adesivos, qual nuvem de vorazes gafanhotos.
Os adesivos são uma constante realidade na história política portuguesa, tanto nos últimos anos da Monarquia e na implantação da República, como também na conquista da Liberdade, há 36 anos, e na partidarização actual da política.
No 25 de Abril Salgueiro Maia foi o Machado dos Santos da República. E, hoje em dia, ei-los – os novos adesivos – sempre presentes junto a um novo líder de partido, à espera de um lugar ao sol, praticando a subserviência, tão suficiente para singrar, em vez do mérito profissional e do currículo pessoal, como que culto de uma "tradição adesiva”.
Os adesivos da política à portuguesa são o pior dela e, verdadeiramente, os coveiros do país.

2010-04-03

Submarinos à tona! Políticos ao fundo!

Imagem: Submarino (in http://colorirdesenhos.com/)

A existência de submarinos é justificada pela necessidade de controlo do mar como objectivo permanente de tempo de paz, o que exige um esquema de vigilância que detecte oportunamente desvios de comportamento potencialmente perigosos para a Humanidade. Os submarinos são parte indispensável dessa estratégia, porque só eles podem exercer um controlo abaixo da superfície, para além do controlo de superfície e acima da superfície. Mas, seguramente, que o mar assiste, sereno ou revolto, à história, bem à portuguesa, dos submarinos comprados em tempos à Alemanha, por parte do Governo português. Enquanto que os submarinos voltaram à superfície, o que parece é que alguns políticos, ou seja alguns dos responsáveis desta história, imergem no seu próprio alheamento do caso. São eles que vão ao fundo! Resta saber se por apneia ou com oxigénio. É que a diferença está na sua própria sobrevivência.

2010-03-30

Cidadania e o Bom Governo

Imagens: Ambrogio Lorenzetti (ou Ambruogio Laurati; c. 1290 - 9 de Junho de 1348) foi um pintor italiano da Escola Sienesa. Os frescos nas paredes do Salão dos Nove (Sala dei Nove) ou Salão da Paz (Sala della Pace), no Palácio Público de Siena, são obras-primas da pintura do começo do Renascimento. As paredes são pintadas com frescos que consistem num grande grupo de figuras alegóricas da virtude na Alegoria do Bom Governo. Nos dois outros painéis, Ambrogio dá uma visão panorâmica dupla: os Efeitos do Bom Governo na Cidade e no Campo e a Alegoria do Mau Governo e seus Efeitos na Cidade e no Campo.

A importância de uma mais vasta participação cidadã na construção do território e na defesa dos recursos naturais é um verdadeiro problema cultural e cívico. Uma cultura de excelência para os cidadãos tem de assentar numa cultura de excelência para os políticos, porque um político que não tem cultura não pode contribuir para a qualificação do seu território, não sabe antecipar os problemas nem articular expectativas e projectos comuns, desenvolvidos por diferentes agentes originários da classe política, do tecido económico, das universidades e da sociedade civil.
As Alegorias do Bom e do Mau Governo são um conjunto de frescos realizados supostamente entre 1337 e 1340, por Ambrogio Lorenzetti, considerados como uma das primeiras obras da história da pintura com conteúdo civil, filosófico e político, já que se trata de uma projecção de como o mundo da época deveria ser, ou seja, o poder corre pelo tecido social e não depende de um centro e de uma hierarquia porque há uma partilha do governo pelos cidadãos.
Esta proposta alegórica, intelectual e artística, que opõe o Bom ao Mau Governo, tem atraído a atenção de historiadores da ciência política, tanto pelo estudo da proposta enquanto expressão quatrocentista das virtudes e vícios dos governantes, como pela sua actualidade.
Curioso é notar que os frescos relacionados com o Mau Governo são os que se encontram mais danificados. A política dos nossos actuais governantes seria, igualmente, excelente fonte de inspiração para quem quisesse fazer uma interpretação alegórica à semelhança de Lorenzetti.

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