Imagem: Guido (Marcello Mastroianni) em 8½
Esta tarde, revimos em casa o filme
8½, de Federico Fellini. Realização franco-italiana, de 1963, filmada na cidade termal italiana de Montecatini, obtendo o Oscar, no ano seguinte, para o melhor filme estrangeiro e figurino. Encontra-se na lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos, segundo o crítico – premiado – Roger Ebert, e considerado mesmo o melhor filme de sempre, segundo o crítico brasileiro Rubens Ewald Filho.
Trata-se de uma autobiografia de Fellini, já que o personagem é um cineasta em crise de criatividade, que se refugia numa estância de águas termais em busca de inspiração e para a qual transitam todos os seus intérpretes.
A obra de Fellini é eterna, tal como deviam ser as termas que serviram de cenário a este filme. Estas e todas as outras, desde que saibamos preservar o recurso essencial da água mineral natural e a ambiência tão própria destas estâncias de cura e lazer; essa água que serviu de inspiração ao próprio Fellini, para criar uma obra imaginosa, no meio de um cenário de beleza humana – as mulheres da vida do cineasta – e da arquitectura termal. O melhor da Arte, digo eu.
Cenas do filme são retalhos do quotidiano do aquista em tratamento individualizado ou colectivo: a ingestão de água, os banhos de imersão e de lama, a inalação de vapores no imenso emanatório, o passeio pelas alamedas e pelos percursos arquitectónicos, as noites dançantes, as exposições, as lojas. Até o excesso de ingestão que traz febre a uma das aquistas, personagem do filme.
Quem vê
8½ uma vez precisa de ver mais, para alcançar toda a sua beleza. Também às termas é necessário voltar. Quanto interessante seria promover a rodagem de um bom filme nas nossas estâncias termais.