O valor universal da água, no que diz respeito à sobrevivência da Humanidade e à importância que tem por exemplo para as questões energéticas e da regeneração do corpo, obriga a que cada um de nós deva tomar esse recurso como finito e o preserve em todas as formas de utilização. As cidades que o têm como recurso económico e identitário devem saber potenciá-lo como desenvolvimento, contribuindo assim para o desígnio universal. Este é um espaço de estas e de outras águas. De todas as águas.

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2010-10-01

Dia Nacional da Água - "Águas" da República

Hoje, Dia Nacional da Água, o dia começou com a viagem inaugural do autocarro da República, juntando elementos da Comissão Nacional e da Comissão Municipal, membros do executivo camarário e dirigentes e jornalistas. Esta primeira viagem, por pontos cruciais do movimento revolucionário de há 100 anos, foi guiada pelo professor António Reis, coordenador científico das Comemorações Municipal do Centenário da República. A acompanhar o visitante, existe um roteiro impresso com os locais do percurso.
A não perder, durante os próximos tempos! A partida faz-se na Rua do Comércio.

À entrada da noite, estivemos na inauguração da exposição "Silva Monteiro. Desenho Humorístico n'Os Ridículos 1908-1926", no Museu Bordalo Pinheiro. Mete água um dos notáveis desenhos deste desenhador-caricaturista que foi muito popular na I República. Traçando a tinta-da-china e aguada sobre papel vegetal, retrata os "Três Dissolvidos! (É o Dissolves!)", publicado na capa de Os Ridículos, de 2 de Abril de 1919. Na época, os partidos Evolucionista, Unionista e Democrático, representados pelos seus líderes, quando dissolvidos, nunca o chegaram a ser, nem mesmo "em água a ferver".
Excelente percurso expositivo, acompanhado por imperdível catálogo. Outro mais a juntar à colecção de publicações que o nosso Grupo de Trabalho para as Comemorações Municipais do Centenário da República tem produzido, num ensinamento para outras realizações, de como o entusiasmo de um grupo coeso e dedicadamente responsável à causa profissional, sem que isso represente muitos recursos financeiros, pode deixar um lastro de conhecimento para o futuro acerca de uma época histórica marcada por feitos positivos e outros nem tanto.
Nos próximos dias, há mais República!

2010-05-18

Perfeitíssimas

Imagem: Chegada das Relíquias da Santa Auta ao Mosteiro da Madre Deus, c. 1518-1520, óleo sobre madeira, Museu Nacional de Arte Antiga

Esta tarde, assinalando o Dia Mundial dos Museus, a exposição temporária "A Casa Perfeitíssima", no Museu do Azulejo, foi notavelmente guiada pelo Doutor Alexandre Pais. A Helena e eu pudemos verificar o legado religioso, cultural e caritativo da rainha D. Leonor, também ela "perfeitíssima", segundo frei Jerónimo de Belém e padre lóio Jorge de São Paulo.
Fundado em 1509, o Mosteiro da Madre de Deus é uma das obras desta rainha, a quem se deve também a fundação das Misericórdias e de instituições hospitalares como o Hospital Termal das Caldas da Rainha e o Hospital Real de Todos-os-Santos em Lisboa. A encomenda de uma série de obras a artistas europeus, na pintura, iluminura, cerâmica, escultura e nos têxteis, criou um conjunto artístico que alia qualidade técnica e riqueza iconográfica. Algumas peças desta exposição há muito que não eram vistas.
Uma justa evocação à rainha que, para além de todo o seu importante papel na cultura portuguesa da época, fez das águas emergentes um lugar de cura espiritual e física inovador à escala europeia.

2010-04-30

Pavilhão de Portugal em Xangai

Imagem: Pavilhão de Portugal em Xangai, arq. Carlos Couto

O Pavilhão de Portugal na Expo 2010 de Xanghai foi desenhado pelo arquitecto Carlos Couto, radicado em Macau. O Pavilhão tem uma área de 2.000 m2 e apresenta uma fachada revestida de cortiça, material nacional, reciclável e ecológico. Pretende-se que seja um exemplo de inovação e de boas práticas ambientais que potenciam a imagem de Portugal na maior Exposição Universal alguma vez realizada. Reflecte o conceito de sustentabilidade dos edifícios das cidades contemporâneas e realça-o como elemento-chave das políticas nacionais em termos económicos e ambientais.
O Pavilhão está organizado de acordo com um percurso expositivo que corresponde à experiência de visita, sob os lemas “Portugal, uma Praça para o Mundo” e “Portugal, um Mundo de Energias”.
Há um momento de entrada dedicado aos 500 anos de relações entre Portugal e a China, seguindo-se a projecção de um filme numa sala para apresentar o Portugal de hoje. Depois, segue-se uma zona dedicada às energias renováveis e, no quarto momento, será retomada a marca Portugal, para apresentar o que o país tem de mais importante ao nível do design e da manufactura de produtos.
Para além deste Pavilhão principal, Portugal tem um segundo Pavilhão, a “ttt – Torre Turística Transportável”, uma inovação em arquitectura sustentável, que pode ser visitada durante a Exposição Universal na UBPA (Urban Best Practices Area), um espaço reservado às melhores práticas ambientais de arquitectura e soluções urbanas. A ttt conta com 9 m2 de área de construção e três pisos distribuídos por cozinha e espaço de refeições, espaço de estar, escritório, quarto, varanda exterior e duas instalações sanitárias. De acordo com a representação portuguesa, está em perfeita consonância com o tema da Exposição Universal: Better City, Better Life (Melhores Cidades, Melhor Qualidade de Vida).
Este pavilhão é composto por módulos que podem ser conjugados vertical ou horizontalmente, numa estrutura construtiva que congrega a utilização da madeira e do vidro, apresentando polivalência e eficiência energética.
A Torre Turística Transportável é um projecto do arquitecto José Pequeno, desenvolvido em parceria com a Universidade do Minho e o grupo DST, representando um investimento de cerca de dois milhões de euros.

2010-04-29

Sobre a Água (Xangai 2010)

Imagem: Pavilhão Corporativo, em Xangai, de Atelier Feichang Jianzhu

Amanhã, abre a maior Exposição Universal de sempre, na cidade chinesa de Xangai, nome que, traduzindo, significa “sobre a água”. Sob o tema “Melhores Cidades, Maior Qualidade de Vida”, em Xangai, todavia, como em toda a China, não se deve beber água da torneira que não esteja fervida. Os habitantes bebem principalmente água fervida (kaishui), alguns hotéis servem-na aos seus hóspedes e encontra-se facilmente água mineral à venda.
Antes do regime comunista, Xangai foi o motor industrial do país e teve uma intensa relação com a Europa, simbolizando naquela altura a China mais colonial. Mas com o novo regime, Xangai foi preterida por Hong Kong, apenas voltando a ganhar importância económica na década de 1990, tornando-se, em 2005, no maior porto de carga do mundo.
Crê-se que a Exposição Universal transforme esta cidade e lhe dê um valor acrescentado de cosmopolitismo, para além dos seus actuais recursos turísticos associados aos seus templos, centro financeiro e intensa actividade produtiva nas áreas da cultura e do design.
E, por falar em design – e arquitectura –, talvez um dos mais fantásticos pavilhões desta Exposição seja o Pavilhão Corporativo, com quase 5000 m2 e que possui fachadas com base na reciclagem de embalagens de CD em grânulos de policarbonato, para além de um tubo colector de energia solar no tecto que consegue fornecer energia para produzir água quente até 95º. Neste Pavilhão, a água da chuva é aproveitada e reciclada para ser utilizada para produzir névoa. A névoa pode reduzir a temperatura, purificar o ar e criar um clima mais confortável em ambientes extremos.
Estas e outras inovações dever-nos-iam trazer um mundo melhor em termos de sustentabilidade ambiental, a começar no país em que decorre.

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