O valor universal da água, no que diz respeito à sobrevivência da Humanidade e à importância que tem por exemplo para as questões energéticas e da regeneração do corpo, obriga a que cada um de nós deva tomar esse recurso como finito e o preserve em todas as formas de utilização. As cidades que o têm como recurso económico e identitário devem saber potenciá-lo como desenvolvimento, contribuindo assim para o desígnio universal. Este é um espaço de estas e de outras águas. De todas as águas.

2012-05-29

Centenário do Turismo em Portugal




"O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito" (Fernando Pessoa)

O Ciclo Comemorativo do Centenário do Turismo em Portugal concluiu-se, pelo que, de novo "ao encontro das águas", apenas com mais este contributo, em solidária parceria com http://centenariodoturismo.blogspot.pt/, este um novo blogue de mensagem única.

Única, porque escrita e publicada no final do mês de encerramento das comemorações do Centenário do Turismo em Portugal, com o objectivo e o dever pessoal de publicar, num contexto à parte da Comissão Nacional e com este registo, uma síntese do balanço desse encerramento, cuja Festa aconteceu - Memorável - no passado sábado, em Aljustrel, no Alentejo.

Memorável, quanto a generosidade e simplicidade com que foi concebida, trabalhada, vivenciada.

Memorável, pela presença dos Cidadãos, de Aljustrel e de muitas outras partes do país.

Memorável, pela inauguração de mais uma unidade de alojamento rural e o anúncio de outras mais para Aljustrel.

Memorável, pela singularidade da sessão solene, desde os tributos da Comissão Nacional ao Instituto do Turismo de Portugal e a Brito Camacho, à Conferência por uma das mais brilhantes alunas de Turismo do país e à actuação dos Grupo de Metais da Filarmónica de Aljustrel.

Memorável, pelo desfile do Cante Alentejano, com tantos grupos que se juntaram nas ruas da vila mineira.

Memorável, pelo espectáculo de raiz alentejana, realizado na pedreira das minas e concebido a propósito, juntando nomes com ligações profundas ao Alentejo, como Ana Vieira, António Zambujo, Francisco Naia, Luís Saturnino, Nova Aurora e Vitorino.

E, nesta hora, interessa agradecer aos que, generosamente, construíram durante mais de um ano um programa oficial, sólido e substancial, sem que para tal fossem necessárias verbas exorbitantes. Foi de pequenos apoios ou patrocínios que se congregaram todas estas pessoas e entidades públicas e privadas em volta de uma ideia e da sua realização.

Foi necessário espírito de iniciativa e empreendedor. Afinal, um dos fundamentos do Turismo.

Obrigado.
Jorge Mangorrinha


Discurso na Sessão Solene

A Comissão Nacional do Centenário do Turismo em Portugal propôs-se celebrar os cem anos de turismo na orgânica do Estado e conseguiu. A motivação pela adesão de mais de uma centena e meia de entidades públicas e privadas, a confiança que merecemos do Governo de Portugal, o Alto Patrocínio do Presidente da República e a coesão entre os elementos executivos da Comissão Nacional, a que tenho a honra de presidir, foram os fundamentos para aquilo que construímos como programa oficial, diverso, participado e, devo dizê-lo com maior sublinhado, um programa aberto a todo o país. Um dos nossos lemas foi: “o turismo não deve ter fronteiras”.

Desde a ideia, que debatemos há cerca de quatro anos designadamente em sede do Instituto Turismo de Portugal, até aos passos que se seguiram a partir da confiança que o Governo de Portugal depositou em nós, esta missão tem tido algumas singularidades que, neste momento, temos de expressar e partilhar convosco, até porque são sinais que podem servir de referencial para o que todos quisermos entender no nosso caminhar futuro.

Comemorar cem anos de turismo organizado em Portugal é lembrar o passado com um olhar no presente e futuro.

Portugal foi das primeiras nações a enveredarem, desde 1911, pela institucionalização governamental do turismo, a par da Áustria e da França. No mesmo ano, a Sociedade Propaganda de Portugal, constituída por monárquicos e republicanos, católicos e maçons, trouxe para Portugal a realização de um Congresso Internacional de Turismo. Veja-se como, já nesse tempo, o turismo era abrangente e transversal a diferentes opções humanas.

O Governo republicano vê uma oportunidade para se afirmar aos olhos da Europa e apoiou decisivamente esse congresso, que teve um enorme sucesso.

Manuel de Brito Camacho assumiria o Turismo no seu Ministério do Fomento. E, como sabemos, a ele se deve parte da escolha conjunta em nos juntarmos hoje em Aljustrel para esta Festa de Encerramento das comemorações.

O Alentejo que em Brito Camacho sempre esteve presente. O Alentejo que nestes cem anos foi terra de dificuldades, coragem e trabalho, e é hoje um território aberto ao melhor do turismo e, também por isso, nos orgulhamos de aqui estar, até porque – permitam-me uma nota particular – também neste ano faria cem anos o meu avô materno, por feliz coincidência nascido e vivido neste concelho. O Alentejo teve, em 2011, o melhor ano turístico de sempre. A assinatura “O Alentejo dá-lhe tudo” é uma verdade. Também dá uma Festa de Encerramento do Centenário do Turismo em Portugal.

Alentejo é o Património do Tempo. Permitam-me desejar que seja este o Tempo da Utopia. O Tempo para pensar e reflectir. O Tempo para escrever. Quiçá para escrever o futuro.

Mas não há futuro sem passado. E, neste, houve quem escrevesse as linhas das utopias de um tempo histórico feito de tempos diferentes. Uma história feita essencialmente de pessoas que acreditaram que Portugal tem condições para, com o turismo, se afirmar no mundo.

Um nome foi essencial nos primeiros tempos: Leonildo de Mendonça e Costa, diretor da Gazeta dos Caminhos de Ferro, fundador da Sociedade Propaganda de Portugal e um dos mais profícuos apaixonados pela viagem e pelo turismo. A ele se deve, por exemplo, o Manual do Viajante em Portugal.

Os primeiros tempos foram de utopia, mas também de concretização. A utopia realizada de Fausto de Figueiredo, que entre a Primeira República e os primeiros anos do Estado Novo construiu a primeira estância de raiz, o Estoril, à volta da qual fizemos uma das mais expressivas e inovadoras exposições destas comemorações.

A Primeira República aproximou, ainda, profissionais e amadores da hotelaria, com o objetivo de desenvolver esta indústria. E lançou as condições para que quem estivesse em cada localidade pugnasse pelos seus recursos e os desenvolvesse. Por isso, o Estado criou as Comissões de Iniciativa Local e Turismo e entregou-as às comunidades locais.

Sabemos como o turismo não pode passar sem a qualificação e promoção das nossas regiões e localidades e sem quem aí vive.

Promover significa convidar à visita. Já na Primeira República se publicou muito em matéria de divulgação turística, e um dos nomes referenciáveis é o de Raúl Proença, criador de uma obra matriz como é o Guia de Portugal, obra iniciada em 1924 e precursora de muitos mais meios de divulgação que, designadamente, o Estado Novo iria intensificar, envolvendo os melhores artistas.

Todos os regimes têm dois lados. E com a distância que o método científico nos aconselha, não podemos negar o papel que, nomeadamente, António Ferro deixou na história do turismo português.

O pós-Guerra reforçou a ideia do turismo como um instrumento de paz, pela convivência social que fomenta, pela melhor compreensão humana e pela sua importante incidência no desenvolvimento e recuperação económica. Nasce o turismo social, de que a FNAT, agora Fundação INATEL, é a entidade que o tem defendido em Portugal e que neste centenário teve um papel solidário e executor.

Em meados do século, o país recebeu o impulso possível nas infraestruturas. Não devemos esquecer as sementes deixadas, antes, por Duarte Pacheco. E, nesse tempo de meados do século, o ensino e os estudos científicos em turismo deram os primeiros passos. Em 1960, Jorge Felner da Costa já dizia que: “O turismo é, sobretudo, um produto que está na moda”. A imagem e a marca de Portugal foram evoluindo na segunda metade do século XX, sendo de destacar os diversos contextos culturais e correntes criativas de pensamento e de formas de comunicação em vários suportes e registos gráficos.

O turismo foi incluído, ainda em meados do século e pela primeira vez na sua história, num Plano de Fomento, outros se seguiram, fundamentais para se considerar, nos anos 60 e seguintes, o turismo como sector estratégico do desenvolvimento económico, cujos primeiros índices estatísticos são prova e tendo como meta aumentar o saldo da balança turística, atenuar desequilíbrios regionais e fomentar o turismo social.

Já em Democracia e com um Portugal geograficamente mais pequeno, os portugueses olham para si próprios, para a preservação e valorização do património cultural e natural e o incremento do turismo interno como fator de melhoria da qualidade de vida dos residentes.

Portugal, hoje, já não existe geograficamente para além da Europa, mas continua a ser o “caleidoscópio maravilhoso” que Ferro apelidou, porque – dizemos nós – a sua diversidade em tão pouca terra é a sua mais significativa característica. Ela – a diversidade – é o suporte do desafio de vencer atitudes de alheamento. Com energia. A energia coletiva que encontramos na própria história e usámos, com a dose possível, nestas comemorações.

E há o mar atlântico sob jurisdição portuguesa, maior que a terra e, portanto, aberto a novos desafios no turismo marítimo.

Mas se Portugal é mais pequeno em termos geográficos, o seu anterior território é, hoje, um desafio para a cooperação. Uma rede lusófona de turismo foi um pedido que fizemos há um ano nas onze conclusões do Congresso do Centenário.

Há que lembrar que o Congresso do Centenário traçou um primeiro momento de debate alargado e lançou desafios. Um Congresso de quatro dias, com 700 inscrições espontâneas e não arregimentadas e um programa cultural complementar, que o tornou, com estas características, num dos mais significativos congressos de turismo em Portugal. Todas as outras iniciativas das comemorações, de debate e expositivas por exemplo, serviram a intenção de propiciar uma rede nacional de eventos, com a qual se promoveu a ideia do centenário e a própria cidadania.

Uma outra conclusão passou pelo desafio às autoridades competentes para a preparação de um Museu do Turismo, não um museu único, mas sim um museu polinucleado e – aspeto muito importante em contexto de crise financeira – que possa aproveitar estruturas já existentes em Portugal, para receberem novos conteúdos e interpretações à volta da Viagem, da Descoberta, do Lazer e do Turismo. Um núcleo central será essencial, do qual se irradie para diferentes locais do país.

Arriscamos, uma vez mais, a propor ao Governo de Portugal uma função definitiva para um dos mais notáveis edifícios portugueses. Notável pela sua simbólica origem, localização e contemporaneidade da arquitetura. Trata-se do Pavilhão de Portugal no Parque das Nações, em Lisboa. Será que encontramos para ele uma melhor função? Apostar no Pavilhão de Portugal para o núcleo central do Museu do Turismo seria uma aposta inteligente de aproveitamento de um ativo que se mantém à espera que lhe seja dada uma função singular no contexto de Portugal e, por que não dizê-lo, no contexto universal. Dele irradiaria uma rede de outros núcleos espalhados pelo país, com a mesma lógica de aproveitamento e reinterpretação de equipamentos existentes, cujo critério talvez fosse ter um por cada uma das cinco áreas promocionais, acrescidas dos Açores e da Madeira.

Não cremos que o esforço financeiro fosse para além do possível, precisamente pela coerência do aproveitamento de existências passíveis de integração numa lógica de memória. Da memória e da evocação das capacidades dos portugueses de viajarem para além de nós e, em sentido contrário, de recebermos os nossos visitantes com o sorriso e o abraço que nos caracterizam como aspetos fundamentais na construção durante décadas de um país turístico.

Neste sentido, estas comemorações valem sempre a pena, porque acabam por deixar sementes para o futuro. Decorreram, contudo, em contexto de crise económica e de incerteza. Mas se a crise é um caldo de dificuldades, é igualmente uma oportunidade para o turismo ser o primeiro sector a resolvê-la, incorporando a aptidão dos atores públicos e privados, das escolas de hotelaria e turismo, em todos os níveis de ensino, mas também a cidadania e o bom acolhimento, ou seja, uma rede de emoções, na qual se recomenda sorriso e competência, ou seja, Portugal no seu melhor.

E Portugal no seu melhor tem de saber contar com a juventude, dar-lhe razões para ficar no seu país. A juventude que é sinónimo de aventura, tal como há cinco séculos. Não esqueçamos que os nossos descobridores tinham, na sua grande maioria, apenas vinte e tal anos quando deram novos mundos ao mundo e, por certo, iniciaram o conceito do viajar, que acabou por ser o suporte do turismo.

Sabemos como a nossa vida é uma viagem. Com muitas viagens dentro. Estas comemorações têm sido essa viagem, tendo como pano de fundo o ritmo que, desde logo, nos dá o movimento das fitas festivas do nosso logótipo tão bem desenhado pela Marina Loyola – aqui presente –, logótipo que tem viajado como marca gráfica destas comemorações.

Ainda anteontem estivemos no Porto, a propósito do lançamento da rede cultural das minas de Volfrâmio, curiosamente a anteceder esta Festa de Encerramento na vila mineira de Aljustrel. A coincidência pode não ser tanta quando sabemos – e o Centenário tem sublinhado isso – da importância dos novos produtos turísticos, de que o património industrial associado ao valor cultural das minas é um exemplo.

Um outro património – este em perigo de se perder, apesar de ser um dos nossos ícones turísticos mais apreciados por quem nos visita – é o património azulejar.

O azulejo – que, por um lado, necessita de salvaguarda e, por outro, de novas criações – deve ser acarinhado no quadro do recente protocolo entre Secretários de Estado da Cultura e do Turismo.

Urge que seja enquadrado um Plano Nacional de Salvaguarda do Azulejo e o registo e a inclusão do património azulejar português no PENT – Plano Estratégico Nacional de Turismo –, para além de outras medidas consequentes urgentes –, pois é essencial incentivar e potenciar, de modo estrutural no contexto turístico, a salvaguarda e divulgação deste nosso património cultural único e a promoção de novas criações. Estamos, também, disponíveis para colaborar.

Se o azulejo é um dos mais singulares e diferenciadores símbolos artísticos do nosso país, também o fado teve o seu tratamento particular neste centenário, no ano em que a UNESCO o consagrou como património da humanidade. “Passaporte do Fado” foi a criação e o tema que oferecemos neste contexto, para a voz de Mafalda Arnauth, que no Congresso do Centenário nos ecoou as palavras que, num dos fragmentos, falam numa “Ave em desafio no vento”. Quem sabe se é a mesma ave que, agora no Alentejo, e também neste contexto, está presente na Moda que oferecemos ao Cante Alentejano, que no final desta sessão iremos ouvir, sob o título de“Passarinho Alentejano”.

Seja com a ave do “Passaporte do Fado”, seja com o “Passarinho Alentejano”, metaforicamente falando, o que importa é darmos asas a quem, no turismo, queira voar mais longe e dignificar todos aqueles que, num século de turismo organizado em Portugal, deram muito ou pouco, não importa, mas acreditaram que um país com pessoas genuínas como estas que por exemplo encontramos em terras alentejanas e com os recursos naturais e culturais tão diferenciadores do nosso país, é possível termos o turismo como nossa bandeira.

A Comissão Nacional e a Cidadania cumpriram o seu dever.

Obrigado Portugal.
Obrigado Alentejo.
Obrigado Aljustrel.

Aljustrel, 26 de Maio de 2012

Jorge Mangorrinha
Presidente da Comissão Nacional do Centenário do Turismo em Portugal

2011-03-22

Aniversário

Dia Mundial da Água.
Há um ano, precisamente, iniciámos este contacto com a blogosfera. Obrigado aos amigos que se associaram ou nos contactaram, por causa deste espaço dedicado a todas as águas.
Nos últimos tempos, os dias têm sido demasiado preenchidos por múltiplas ocupações que pouco tempo têm deixado para estas escritas. Outras porém acontecem. O Turismo em Portugal, para a origem do qual as águas balneares muito contribuíram, faz este ano o seu Centenário.
Estamos nessa!

2011-03-13

O Silêncio da Água

A água é sempre bom motivo de estórias para todas as gerações, sobretudo para aquelas que ainda não "estão à rasca"! Brevemente em português. Fábula passada junto ao rio Tejo, com ilustrações de Manuel Estrada.

2011-03-01

Hotel Lisbonense

Imagem: antigas traseiras do Hotel Lisbonense, Valter Vinagre, 1993, in http://ww1.rtp.pt/icmblogs/rtp/molduras/?k=Valter-Vinagre.rtp&post=26416

Leio hoje no Publituris, por Carina Monteiro:
"Hotel Lisbonense passa a Sana Silver Coast
O grupo FDO concluiu a reabilitação do Hotel Lisbonense com a venda do equipamento à SANA Hotels, passando o hotel a chamar-se Sana Silver Coast. O emblemático hotel das Caldas da Rainha, que acolheu o Rei D. Carlos I e a família real quando iam a banhos, vai finalmente ser devolvido à cidade, após uma profunda e cuidada recuperação que incluiu a reconstituição das suas fachadas principais. O equipamento, com uma área de 5.500 metros quadrados e um total de 88 quartos, encontra-se pronto a explorar e abrirá brevemente.
Acrescente-se que as palmeiras centenárias que marcavam a envolvente do hotel foram salvaguardadas e reimplantadas, o que vem reforçar a política de protecção ambiental e de responsabilidade social do grupo."

Pergunto eu: então, e a ocupação a 100% do terreno disponível anteriormente, nas traseiras do antigo hotel?


2011-02-13

Nas águas do Nilo

Imagem: puzzle com 200 peças para descobrir o Egipto

Estive no Egipto há mais de 20 anos, numa viagem inesquecível. Os sons longínquos que ouvia enquanto descia o Nilo ainda os sinto. Lamento, hoje, as perdas humanas e do riquíssimo património museológico. Mas como o meu amigo António Eloy escreve no seu blog (http://www.signos.blogspot.com/): "Hoje há mais um povo feliz".
Espero eu que essa felicidade seja duradoira.

2011-02-06

Vai de e-mail a pior

Imagem: final da revista "Vai de e-mail a pior", com o número "Lisboa não é só isto”

Hoje fomos à revista, a convite do empresário e amigo Hélder Freire Costa.
Eu tinha colaborado, modestamente, na redacção de um pequeno texto para a publicação que foi feita para este efeito, mas ainda não tivera a oportunidade de assistir a esta sua produção no Teatro Maria Vitória, no Parque Mayer.
A revista é portuguesa e traz Lisboa na voz.
Em três horas, com mais meia-hora de intervalo, músicas e danças perpassam pelos textos sobre a actualidade política e social. Os actores mais experientes não perderam o brilho de outros tempos e os novos revelam-se para que o futuro da revista exista.
Lisboa é também Parque Mayer. E o Parque Mayer, hoje, é o produtor Hélder Freire Costa e todos aqueles que, pela sua mão, continuam a dar aos portugueses esta tradição. Uma tradição aberta aos novos tempos, aos jovens e a novos autores e intérpretes que acreditam nela, como expressão bem portuguesa e, por isso, sempre bem presente na cultura nacional e no turismo interno. Sem preconceitos. Talvez um desafio de futuro é pensar em como integrá-la nas rotas do turismo internacional.
Há espectáculos às 5ª e 6ª feiras, pelas 21h30, e aos sábados e domingos, pelas 16h30 e 21h30.
Ajudem a viver a revista!

2011-01-29

Banhos da Abelheira

Imagem: Instalações dos Banhos da Abelheira, no sopé da colina do Santuário de Balsamão, no concelho de Macedo de Cavaleiros. Foto a partir do Santuário.

Hoje, visita às águas emergentes junto da colina do Santuário de Balsamão, onde existem banhos populares. Deste santuário, vislumbra-se uma vista soberba. Trouxe os pulmões cheios de ar puro e o desejo de estas águas poderem vir  a ser analisadas, legalizadas e exploradas, usufruíndo-se também das coisas boas desta região.
O edifício das águas é modesto, remonta aos anos de 1950 e é utilizado como albergue sobretudo no verão. Imagine-se o bom que é, nesse tempo, o descanso nas modestas varandas corridas lançadas à vista para o santuário.

2011-01-22

Le Touriste

As águas de Veneza são cenário do filme O Turista.
A não perder! No final, o turista será outro.

2011-01-15

A Mina do Espadanal

A convite do notável empreendedor e arquitecto riomaiorense Nuno Rocha, tomei hoje posse como membro da mesa da Assembleia Geral da EICEL, Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico. Esta associação recupera a sigla histórica da antiga empresa concessionária do Couto Mineiro do Espadanal, fundada em 1920, e é presidida pelo Nuno Rocha, principal dinamizador desta luta de salvar aquela estrutura e de a contextualizar em termos nacionais e internacionais.
Para quem chega a Rio Maior, a chaminé da mina do Espadanal, com cerca de 70 metros e uma base geométrica poliédrica, é um ex-libris e o elemento chamativo à distância de um património que espera o interesse da autarquia para, de uma forma inteligente, poder-se associar à dinâmica cidadã, fazendo jus às origens desta obra: "um grande projecto nacional que obteve êxito na integração, solidariedade, independência moral e material de portugueses desfavorecidos oriundos dos mais diversos pontos do território".

2011-01-01

O Ano do Centenário do Turismo

Imagem: logótipo do IV Congresso Internacional de Turismo, Lisboa, 1911
(des. Raul Lino, col. Jorge Mangorrinha)

O primeiro minuto do ano em que as "águas" se juntam.
Celebremos o Centenário da Institucionalização do Turismo em Portugal (1911-2011)!

2010-12-31

Águas Turvas (8): "O povo pode e deve pagar mais!"

O que nos espera dentro de minutos.
Muito actual!

2010-12-24

A Romã e este Tempo

Junto à representação de Jesus Cristo em menino - símbolo maior deste tempo para os cristãos - a importância da romã também é milenar: fruto composto por 80 por cento de água, está associado às paixões, à fecundidade e é um símbolo do ano novo, ao acreditar-se que o ano que chega sempre será melhor do que aquele que vai embora. A coroa de triângulos que forma a romã é a coroa da virtude, do sacrifício, da ciência, da fraternidade, do amor ao próximo; os grãos, envolvidos por uma polpa transparente, simbolizam a união dos homens com energia e força para realizarem o seu trabalho.

2010-12-08

A Garrafa do Futuro

Imagem e texto retirados da edição de hoje do semanário Sol

Cientistas da Cambridge Consultants desenvolveram a i-dration, uma garrafa de água para praticantes de fitness que lhe diz quando precisa de beber água. Através de uma combinação de sensores este aparelho comunica com uma aplicação instalada no seu smartphone. A garrafa mede a temperatura ambiente, quanta água perdeu através do exercício e a quantidade da mesma que já ingeriu. A aplicação instalada no smartphone vai medindo o ritmo cardíaco e a quantidade de esforço que já dispensou no exercício, dizendo posteriormente quando necessita de repor os níveis de água baseada nos dados recolhidos. Caso haja algum desequilíbrio, uma luz azul acende-se a dar a indicação do nível baixo de H2O.

2010-12-05

Caldas da Rainha, de cidade com termas a cidade termal?

Imagem: "Não cuidar do nosso mais notável património é o reflexo espelhado de quem dele não cuida", slide do power-point: lago do Parque D. Carlos I, espelhando os Pavilhões do Parque, Jorge Mangorrinha.

A convite do Conselho da Cidade, ontem estive nas Caldas da Rainha para o segundo debate do ciclo organizado por aquela associação para a cidadania. Partilhei a mesa com o Dr. João de Almeida Dias e o Prof. Fernando Catarino, moderando-nos o Dr. Mário Gonçalves, a quem este tema não é obviamente estranho.
Sob o título "Caldas da Rainha, de cidade com termas a cidade termal?", iniciei esta intervenção com uma pergunta: O que é uma Cidade Termal?
Sabemos como as cidades e estâncias termais, com as suas características próprias, são espaços intrinsecamente de saúde e lazer. Mas há outras coisas, porque através dos tempos ganharam outras funções e outros desempenhos estratégicos.
Na sua essência, o sistema formado pelos recursos naturais e valores patrimoniais constitui um traço estruturante da paisagem e da ambiência das cidades termais. Desde logo, a salvaguarda nas melhores condições do perímetro de protecção termal relativamente às captações de água subterrânea. A determinação, delimitação e fixação dos perímetros de protecção a montante da captação dependem das características hidrogeológicas e constituem actos de natureza complexa. Exige-se que nesses perímetros sejam tomadas as mais exigentes medidas de prevenção e protecção, eliminando ou evitando possíveis focos de poluição. Caso contrário, é posto em causa o futuro da actividade termal, dado que a poluição de um aquífero é, por vezes, irreversível ou de regeneração difícil.
Uma cidade termal é um ecossistema, cujo modelo de desenvolvimento se suporta num recurso essencial – a Água –, que é simultaneamente produto primário, competitividade e marca identitária, traço indelével tanto ou mais do que noutro território, noutra paisagem, integrando, além do mais, recursos abióticos, bióticos e culturais. Trata-se, pois, de um sistema urbano. Não mais um núcleo à parte dentro da cidade. E é como tal que deve ser planeado e vivenciado.

2010-11-26

Os Banhos de S. Paulo e as eleições dos arquitectos

Imagem: jantar do núcleo executivo da lista B às eleições da Ordem dos Arquitectos.

Nem sempre ganha quem tem razão. Esta máxima emprega-se perfeitamente aos resultados de ontem, nos Banhos de S. Paulo, sede da Ordem dos Arquitectos.
A nossa razão, a razão da lista B é a razão desta classe profissional, que não tem o devido reconhecimento público de acordo com a necessidade de intervirmos na sociedade e no território e, também, com o crescente aumento de novos arquitectos, sendo provavelmente a classe profissional que em Portugal mais tem crescido em termos dos números absolutos.
Também grave é o distanciamento entre a Ordem e a classe e a escassíssima adesão de votantes. Tal como dizia uma colega de lista, "a Ordem é repulsiva!".
A Ordem é e vai continuar a ser dirigida por um punhado de gente perfeitamente definida no seu carácter e interesses. Nada semelhante aos que, num gesto de profunda cidadania e generosidade, nada têm a provar, profissional e pessoalmente, e quiseram lançar este grito de mudança.
Os cerca de 30% de nós que votámos e acreditámos neste projecto merecem continuar, porque vive-se um problema estrutural, tal como um outro colega disse há pouco, "deixar a situação como está é totalmente irresponsável, considerando as atribuiçōes que o Estado delega numa Ordem Profissional".
As águas que ainda brotam junto aos Banhos de São Paulo continuarão ainda mais turvas, durante os próximos três anos.

2010-11-24

A Caminho das "Águas" de Borba

Imagem: Pedro Partidário, António Champalimaud Barahona e Jorge Mangorrinha, no passado sábado em Lisboa, no jantar de 20 anos de curso.

Há colegas que nos ficam. E, para além disso, há colegas que são mais do que isso, são amigos na verdadeira acepção da palavra, mesmo que os momentos de convívio não sejam muitos. Mas há, em cada momento em que nos cruzamos, um sinal que é mais do que um simples momento de cortesia.
Nesta imagem recebida por via do facebook, considero-me muito bem acompanhado pelo Pedro e o António, respeitando a ordem da esquerda para a direita, claro está. Concerteza que outras fotos virão, com outros colegas de quem também tenho boas memórias.
E agora, meus caros, há que trabalhar, antes da próxima paragem em ano celebrativo 21, tão cabalístico como desejado. Em Borba, segundo rezam as crónicas mais recentes. Se de águas trata este blog, o vinho parece não poder deixar de estar nas bocas, ou melhor, por agora nas pontas dos dedos dos meus colegas mais intervenientes. Será que aquela novel cidade apenas tem esse atractivo turístico? A Lina que se cuide!

2010-11-21

FAUTL 1985-90

Imagem: Benção das Fitas de 1990, no Estádio 1.º de Maio, em Lisboa.

Ontem, realizou-se o jantar dos 20 anos do curso da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, no qual revi muitos daqueles que me acompanharam no mítico convento do Chiado, entre 1985 e 1990, numa época bem diferente da actualidade, designadamente quanto às condições e ferramentas de estudo.
Elas e eles iam chegando. Uns mais reconhecíveis que outros e cujos nomes foi o principal problema. Da cerca de centena de nós que terminámos o curso, estivemos em Monsanto cerca de 60, sendo que o tempo pareceu curto para pôr os temas em dia e relembrarmos algumas águas passadas. Ficou a esperança de, antes dos próximos 20 anos, podermos voltar a realizar um novo encontro, sendo que, já hoje, alguns se adiantaram a propor para o próximo ano, talvez um almoço para que a tarde nos faça render mais as nossas conversas.
Parabéns à organização!

2010-11-19

Uma cidade não nasce nem cresce numa folha em branco

Imagem: pormenor de parede exterior dos Pavilhões do Parque, nas Caldas da Rainha

Cidade que das águas nasceu e cujo território modelou o seu assentamento, será que Caldas da Rainha é hoje uma cidade em busca do seu posicionamento estratégico? Será que algumas decisões futuras e próximas contribuirão para esse desígnio?
Em 2010, afinal o que quer ser esta cidade? Nela, qual o papel dos vários temas sujeitos a este ciclo de debates? Será que pode ser uma cidade hospitalar ou de saúde, uma cidade com termas ou termal, uma cidade de cultura e turística? Qual o papel da revisão do PDM na assunção de um conceito identitário único ou misto para a cidade?
Há alguns anos, dizia-se que a globalização iria destruir as diferenças locais, homogeneizando o espaço e a sociedade. Hoje, o debate não se coloca mais nestes termos. Tanto as peculiaridades locais como a própria globalização económica passou a valorizar as diferenças dos lugares, fazendo desta diferenciação um atractivo para o capital económico das cidades.
Ao analisarmos uma cidade, é preciso vê-la na sua dupla dimensão, de cidade que se projecta e antecipa – ou seja, a cidade que se sonha – e de cidade que se concretiza – ou seja, a cidade construída e vivenciada, que nem sempre é a que foi sonhada ou projectada.
A cidade, entre projectos e políticas, ora se parece transformar de uma forma vertiginosa, ora parece permanecer quase imutável na sua morfologia e na sua identidade. São os tempos da cidade. Mas também é verdade que, tal como um relógio avariado está certo duas vezes por dia, a cidade tem sempre um espaço cujo quotidiano é distintivo, ou seja, o seu tempo certo.
Aliás, o tempo das cidades é algo a que também podemos associar ciclos de vida.
E se as identidades de uma cidade fazem parte do seu tempo certo, mesmo a perda momentânea da sua função mais distintiva lhe não deve perder a identidade. Por exemplo, a cidade inglesa de Bath sobreviveu exportando a sua imagem de cidade termal, entre 1976, quando as suas termas fecharam por inquinação das águas, até à abertura do novo balneário termal, em 2006. E isto foi possível, porque manteve a sua imagética urbana e turística associada a essa identidade, mesmo sem ter nesse largo período um balneário em funcionamento. O tempo aqui, associado a esta imagética, parece que não parou.
Mas afinal quais são as ideias necessárias para as Caldas e os vectores que, hoje em dia, vão tecendo dinamicamente as relações entre a cidade existente e a cidade desejada? Creio que são exactamente as decisões futuras que condicionarão o percurso desta cidade: será que é uma cidade fechada em si mesma, ou uma cidade que dialoga, a uma outra escala, com a região envolvente, dando as mãos a outros municípios na partilha de equipamentos, sejam eles de saúde ou industriais, por exemplo?
Caldas já não é a mesma cidade de há 50 ou 100 anos, nem por exemplo há imprensa satírica como há quase 100 anos para contar com humor toda esta indecisão que dá mote ao debate que se segue: um hospital novo ou ampliado? Ou mesmo à indecisão sobre o futuro do termalismo local.
Efectivamente, há quase 100 anos, quando tinhamos um hospital civil na periferia da então vila, também tinhamos um jornal satírico, pelos vistos desconhecido de muitos e que, provavelmente, aqui revelo como mais um jornal caldense, O Viroscas, saído a 11 de Outubro de 1914. No seu primeiro número intitulou-se um “semanário imparcial com pretensões a humorístico”. É, provavelmente, o único jornal caldense integralmente de tom satírico. E, seguramente, bem falta hoje nos faz!
Voltando ao tema central do debate que se segue, nos anos 50 em termos internacionais um hospital planeava-se quase sempre renunciando-se aos terrenos urbanos. Fiz essa pesquisa recentemente num universo considerável de hospitais portugueses e estrangeiros.
Um hospital era descrito como um organismo mutável, não só devido ao progresso das ciências médicas, como também às novas necessidades sociais, às quais devia ajustar o seu mecanismo. Em termos internacionais, a construção de um hospital moderno, segundo o médico Albert Marechal e o arquitecto J. Minguet, já apresentava um grande número de problemas, tanto no plano urbanístico, como no plano funcional, defendendo esses especialistas que cada vez mais se tomaria em conta que se não podia nem devia dissociar as três missões de um hospital de dimensões consideráveis, como a terapêutica, a investigação e o ensino.
Nessa época, nas Caldas, o Hospital de Santo Isidoro apresentava-se, segundo o plano urbanístico de Paulino Montez, antiquado e a necessitar de ser substituído por um novo edifício. E Paulino Montez é bem objectivo: “a localizar, como o existente, em terreno fora do aglomerado, junto da via envolvente”. Contudo, a construção do novo hospital, na década de 1960, no centro urbano e num local de diminutas acessibilidades, como ainda hoje se torna evidente, veio a revelar-se polémico, que nem mesmo o Plano de Montez impediu.
Polémico designadamente entre a população caldense. Em 1958, dois artigos publicados no Diário Popular, de 17 e 19 de Novembro, documentam o ambiente de insatisfação quanto à aplicação financeira do legado da Condessa de Bertiandos, na construção do novo Hospital Sub-Regional. Lembre-se que esse legado deveria “ser aplicado inteiramente no melhoramento e reapetrechamento, tão necessários, das instalações do estabelecimento termal” (Diário Popular, de 17 de Novembro de 1958, p. 11). A população discordava da pretensão em construir o Hospital na Mata, já que a própria Misericórdia possuía terrenos em redor do Hospital de Santo Isidoro, “na periferia da cidade, como convém” (Diário Popular, de 19 de Novembro de 1958, p. 8).
O Hospital Sub-Regional das Caldas da Rainha nasceu assim envolto numa polémica local. O seu projecto a merecer parecer do Conselho Superior de Obras Públicas data de 1953. Este hospital foi pensado para atender às necessidades de assistência hospitalar da sub-região, como também para prestar apoio ao hospital termal, entidade esta que foi a que promoveu a construção em terrenos seus. Nos termos da Lei 2011, de Abril de 1946, que definia na altura a organização hospitalar do país, a construção de hospitais sub-regionais dever-se-ia fazer em regime de comparticipação entre a entidade que promovia a sua construção e o Fundo de Desemprego e, por isso, haveria sempre que atender, na elaboração dos respectivos projectos, aos recursos de que essas entidades pudessem dispor. Neste sentido, a lotação deste hospital, tendo em atenção a população à época do concelho, deveria ser de 76 camas, mas com a possibilidade de passar a 100 em 1971, o que conduziria a uma construção em duas fases. Porém, atendendo a que este hospital deveria ser um complemento do hospital termal foi resolvido que a construção se efectuasse numa só fase, pelo que a previsão em projecto passou para 95 camas. As ampliações far-se-iam anos mais tarde, como sabemos.
Foi esse princípio de articulação estreita com o hospital termal, tendo em vista captar o legado que fora apenas previsto para este, que motivou a opção em construir o novo hospital no centro da cidade. Essa articulação do novo hospital com o hospital termal, apesar de um recuo relativamente à iniciativa de final do século XIX, suportou-se também na ideia de se criar nas Caldas um Centro Nacional de Reumatologia, mas tal nunca viria a acontecer.
Aliás, o médico local Mário de Castro, em artigo datado de Janeiro de 1963, referia que: “o Hospital Termal Rainha D. Leonor, unidade assistencial de clínica hidrológica, está desactualizado, muito abaixo das suas tradições, possibilidades assistenciais e do papel que lhe deve ser atribuído na hidrologia nacional”. Lembro que, em 1962, se dera a passagem deste hospital termal a unidade em funcionamento permanente, durante todo o ano, e designado Hospital Central da Zona Sul, na sua qualidade termal.
Portanto, estas realidades, quanto à necessidade da sua modernização e ao mesmo tempo com responsabilidades acrescidas, induziam uma desejável articulação do hospital termal com o investimento que na época era feito ali ao lado, com a construção do novo hospital sub-regional, o que porém não aconteceu.
Hoje, como contributo para o debate, creio que o futuro deste edifício podia passar por uma ponderação que incluisse vários factores, mas acho que tem sentido recuperar a sua origem programática e enquadrá-la numa forte ligação às termas, independentemente de ser ampliado ou não. É esta ideia que quero deixar e confio no saber e na experiência do vasto corpo clínico desta unidade para consubstanciá-la e verificar a sua pertinência no quadro da decisão que se procura. Acho que podemos aproveitar esta singularidade como elemento programático, porque a relação com o termal é um factor inteligente de optimização das preexistências e dos investimentos públicos que em 50 anos ali foram realizados.
A nova entidade física seria repensada como hospital que integraria uma componente reumatológica no seio das existentes, que ainda hoje seria único, tal como inicialmente defendia o Dr. Costa e Silva. E até se cumpriria, finalmente, o legado da Condessa de Bertiandos.
Admito que na análise a este tema não estão todos os dados lançados, entre novo e ampliação. Mas creio que a hipótese que lanço se deveria pôr na mesa, em qualquer cenário, identificando em ambas as soluções: os pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades, e só depois decidir-se entre uma ou outra, ou mesmo por uma solução mista.
Neste momento, como sabemos, só uma solução se encontra prevista pelo Ministério da Saúde, recentemente.
Creio que cabe aos actores locais defenderem a melhor solução junto de quem de direito.
É que uma ideia para este edifício e para este vasto património passa por um sinal que todos devemos dar relativamente ao balanço a fazer entre partes dificilmente conciliáveis se os actores apenas olharem para um dos lados do problema.
Potenciar este centro urbano como parque de saúde, integrando aspectos patrimoniais, de cultura e Natureza, é apostar numa sociedade criativa, desde logo nos conceitos que se tem para o futuro de uma cidade. É preciso que a economia criadora seja valorizada através, por exemplo, da acção junto do património e do reforço das identidades locais, que tem consequências efectivas no desenvolvimento.
Nesta nova condição urbana revelam-se identidades plurais e práticas inteiramente novas de apropriação material e simbólica do espaço e do tempo. A diversidade cultural, a multiplicidade de usos urbanos e a difusão de tecnologias de comunicação rasgam as fronteiras do quotidiano dos lugares. Para além do Estado e do Mercado, há novas dimensões de pensar a construção de referências para a vida em sociedade. É nesse sentido que a retomada do papel da sociedade civil como instância política é necessária e inadiável.
A cidade, dizia Shakespeare, são as pessoas nos seus conflitos, medos, alegrias e paixões. E as pessoas para serem plenas na cidade precisam simultaneamente das palavras e das acções. A cidade significa, por excelência, o reino da comunicação, da acção e de toda a complexidade social marcada por diferentes protagonistas. É o território como condição da democracia. Uma estrada para a cidadania. Pelo que o território tem de ser qualificado.
No território, é possível reconhecer o sentido dos interesses colectivos, promover pertenças e mobilizar forças plurais de mudança. É no território que nos fazemos sujeitos da política e portadores de projectos de sociedade. O território significa, portanto, uma marca e uma matriz daquilo que verdadeiramente somos e do que queremos para as novas gerações de cidadãos. Sendo assim, há uma dimensão fundamental entre a prática cidadã e o uso do território como condição da democracia.
Como a cidadania depende da qualidade do espaço público para sua efectivação plena, o território depende da política para seu uso pleno em termos de sociabilidades inovadoras.
Mas atenção que há que escutar os sons da cidade, os seus risos e dores. E sabemos como muito desses sons emitidos são ignorados por alguns actores da cidade. Escutar é entender. Entender para transformar.
Tal como entender o território em presença, entender o papel da comunidade local é promover o debate, com base numa rede, onde o interesse maior seja o interesse comum. Para o pensador francês Michel Foucault, o poder exerce-se em rede. O poder é relação; logo, onde há poder dos cidadãos, há resistência. A identificação dos problemas e o encontro de soluções não são propriedade do Estado central e autárquico, pelo que a sociedade e a sua participação cidadã são vectores cada vez mais fundamentais. O papel de um Conselho da Cidade pode ser visto numa lógica estratégica de gestão de fronteiras, de elos de ligação, de gestão de conflitos, de relações e de interfaces.
Estas Caldas da Rainha podiam ter há muitas décadas apostado em eixos estratégicos tão evidentes com base nas suas características e heranças naturais e culturais. E esses eixos são quatro:

a) O eixo das águas, das termas ao mar;
b) O eixo patrimonial, das Caldas a Óbidos;
c) O eixo comercial, das termas ao caminho-de-ferro;
d) O eixo ecológico, coincidente com a zona intermédia do Perímetro de Protecção Termal, onde se deveriam ter preservado reservas estratégicas de terrenos.

A cidade não nasce nem cresce do nada. Há preexistências geológicas, paisagísticas e construídas a que importa atender, na sua preservação e potenciação para o desenvolvimento. Mas também é certo que as cidades são imperfeitas, tal como todos nós. Cabe-nos, na nossa imperfeição, podermos acrescentar ao papel da cidade o melhor de cada um. O papel desta cidade é um papel já amarelecido pela história de muitas gerações. E é essa patine que dá alma à cidade, porque o seu legado é o maior ensinamento para nela actuarmos. O legado de uma cidade nunca é, portanto, uma folha em branco! Há identidades que se herdam, há novas estratégias que se ambicionam.
A cidade é palco de tensões, de desafios, de planeamento, de acção política e de cidadania. A cidade é o resultado da acção de todos nós e ela sempre nos chama, uma vez mais, porque como escreveu Kaváfis, escritor grego que se dedicou ao estudo do quotidiano das sociedades, “A cidade, por onde fores, irá”.

2010-11-13

Hospital Oeste-Norte

Imagem: slide do power-point apresentado no encontro de hoje.

A convite da direcção do Conselho da Cidade, realizou-se hoje nas Caldas da Rainha a primeira sessão de um ciclo de debates, iniciando-se com o tema "Hospital Oeste-Norte: ampliação ou novo?". O convite foi-me feito para começar este ciclo com uma conferência que intitulei "Uma cidade não nasce nem cresce numa folha em branco", seguindo-se o painel do debate propriamente dito, constituído pelo Dr. José Marques Serralheiro, Dr. Mário Gonçalves e pela vereadora e deputada nacional Maria da Conceição Pereira. A sala esteve cheia, estando a organização de parabéns, e o debate, apesar de rico, foi porém inconclusivo, ou melhor, inconclusivo para a decisão, mas percebe-se uma cada vez maior adesão ao hospital construído de raiz, se recorrermos à memória de há cerca de meia-dúzia de anos quando o seu mentor, José Marques Serralheiro, lançou a ideia, não granjeando de imediato adeptos. No dia 4 de Dezembro, o tema é o futuro das termas. Lá estaremos.

2010-11-11

Água-pé

Bebida tradicional portuguesa, com baixo teor de álcool, resultante da adição de água ao bagaço (ou pé) de uva, a água-pé bebe-se por estes dias, acompanhada de castanhas. Em Lisboa, hoje, as filas junto dos assadores são enormes. E no Cadaval sabe-se que se promovem por estes dias as rotas da água-pé, passeio pelas adegas típicas locais, proporcionando, ao mesmo tempo, o salutar convívio entre os muitos participantes que anualmente se juntam ao evento. Esta noite, dia de São Martinho, aqui em casa, castanhas sim.

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